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Especialistas da SEL Brasil coordenam projeto de proteção, controle e automação na Angola

Projeto garantiu energia segura e confiável à cidade de Cacuso, entenda como os desafios foram superados

O país de Angola vive um momento de reestabelecimento após cerca de três décadas de uma guerra civil que devastou a região. Como parte do plano de retomada, o local construiu, recentemente, a usina Biocom (Companhia de Bioenergia de Angola) para melhorar o fornecimento de energia elétrica para a cidade de Cacuso, no estado de Malanje, a cerca de 400 quilômetros da capital, Luanda. Antes, o município enfrentava blecautes constantes, que afetavam seus mais de 100 mil habitantes, porque recebia energia apenas da subestação de Capanda.

Em seu primeiro sistema internacional, a SEL Brasil respondeu pelo projeto que contribui para a gestão adequada do sistema elétrico da usina, garantindo que a energia elétrica chegue a Cacuso de forma segura e confiável. O esquema implantado realizada a proteção da linha de transmissão de 110 kV de 20 quilômetros de extensão, recém construída para interligar a Biocom à Cacuso, e de dois transformadores, de 25 MVA cada, assim como o controle, o monitoramento e a automação das subestações da usina e de Cacuso.

Sobre a usina

A Biocom produz açúcar, álcool e gera energia elétrica com os excedentes deste processo, prática que é comum também no Brasil. A energia produzida ultrapassa o volume necessário para a usina suprir suas necessidades internas. Como a usina não estava conectada ao sistema de potência de Angola, não conseguia enviar a energia remanescente para Cacuso. Agora, com a nova linha de transmissão e o sistema instalado pela SEL, ela exporta o excedente e ainda o faz de forma totalmente segura, controlada e monitorada.

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O engenheiro Daniel Rocco demonstrando os equipamentos da SEL

O time de especialistas da divisão de Engenharia da empresa no Brasil gerenciou e entregou todo o projeto, realizado ao longo de nove meses de estudos, desenvolvimento, planejamento, além de testes de aceitação em fábrica e comissionamento do sistema de proteção, controle e automação para a usina. “Por se tratar da primeira exportação da companhia, a equipe teve de superar novos desafios, tais como as diferenças de tensões entre os sistemas dos dois países e os cuidados exigidos para o transporte marítimo dos equipamentos produzidos aqui no Brasil”, afirma Eduardo Zanirato, responsável pela gestão do projeto.

Entre os benefícios obtidos, o executivo cita que “com as soluções da SEL, além de assegurar a segurança da linha e dos equipamentos, a usina se beneficia com a confiabilidade e o controle das informações. É possível controlar, por exemplo, quanto exatamente de energia é exportada para Cacuso, permitindo que a empresa comprove o fornecimento com precisão e receba corretamente do governo”.

Escopo

O projeto abarcou as subestações da Biocom e de Cacuso, nas quais foram instalados painéis para proteção da linha e dos transformadores, comunicação, supervisão e controle, medição de faturamento e serviços auxiliares. Também foi desenvolvida e instalada uma IHM (Interface Homem-Máquina), capaz de oferecer aos operadores nos centros de controle acesso integral às informações do sistema sem a necessidade de deslocarem-se ao campo. “Todos os comandos necessários, como medidas de corrente, tensão e potência para a tomada de decisões assertivas pelos operadores foram configurados pela nossa equipe”, afirma Samuel Ignácio da Silva, técnico de IHM da SEL.

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O engenheiro Samuel Silva trabalha no projeto

Flexibilidade dos relés da SEL soluciona contingência inesperada

Durante a etapa de comissionamento, os especialistas da SEL conseguiram solucionar uma contingência inesperada, não prevista no escopo do projeto, aproveitando os recursos dos equipamentos disponíveis, sem custos adicionais ao cliente.

Em determinado momento, durante a execução do projeto, a cidade de Cacuso perdeu sua fonte de energia principal (subestação de Capanda), e foi à blecaute. Esperava-se que a Biocom, como única fonte de energia, sustentasse o fornecimento de energia na cidade, o que não aconteceu porque os geradores da usina operavam em modo droop (quando as máquinas assumem toda a carga ordenada pelo operador, mesmo que para isso precisem reduzir a velocidade).

Devido à uma funcionalidade do relé de proteção da SEL foi possível resolver o problema: o relé da subestação de Cacuso captou o sinal de abertura do disjuntor da subestação de Capanda e o enviou a outro relé do mesmo tipo, situado na subestação da Biocom. Assim, foi possível alterar o modo de operação das unidades geradoras da usina, para que passassem a operar em modo isócrono, possibilitando que a Biocom conseguisse manter, sozinha, o fornecimento de energia em Cacuso. Uma máquina opera em isócrono quando, ao absorver ou ceder carga, a sua velocidade permanece constante, e, portanto a frequência do barramento também é mantida constante.

“Além das informações de proteção, os relés da SEL instalados no local possuem um canal que permite enviar até oito bits de informações adicionais, o que foi crucial para garantir a continuidade do fornecimento de energia para Cacuso, em um momento de perda de sua principal fonte de energia”, destaca Daniel Rocco, engenheiro de proteção da SEL, que trabalhou em campo no projeto. Ele afirma, ainda, que tal evento foi significativo para a região, onde os blecautes eram frequentes e sem previsão de normalização devido à falta de órgãos de fiscalização no país.

Desafios superados

Entre os desafios que a equipe superou, Rocco recorda a exigência de um planejamento minucioso e as difíceis condições de trabalho no local. “Como trabalhamos remotamente e no exterior, tudo precisou ser testado e planejado de forma ainda mais detalhada do que o habitual, pois qualquer problema impactaria significativamente no cronograma. Também precisamos nos adaptar a uma região diferente e bastante precária, se comparada ao Brasil”, conta.

"A usina foi construída recentemente, por isso trabalhamos em conjunto com o cliente no sentido de encontrar a melhor solução customizada para suas necessidades e auxiliá-los na definição da melhor forma de trabalhar e utilizar o sistema, como implementação de seletividade lógica, monitoramento de circuito de abertura e fechamento de disjuntores, supervisão de serviços auxiliares, etc.", explica Zanirato.

Agnaldo Veronezzi, coordenador de Produção da SEL, cita os prazos apertados durante o projeto, já que os painéis foram produzidos na SEL Brasil antes de serem transportados para Angola. "Como trabalhamos com transporte marítimo, cuidamos para seguir o cronograma à risca, uma vez que os embarques de navio são feitos somente a cada quinze dias", afirma. O especialista também destaca a necessidade de desenvolvimento de uma embalagem especial, compatível com a norma internacional e resistente à maresia, para o transporte seguro dos equipamentos.

Investimento em tecnologia de ponta

Apesar de ainda ser um país subdesenvolvido, o governo de Angola já investe em tecnologia de ponta para aperfeiçoar o seu sistema elétrico: a automação das subestações da BIOCOM e de Cacuso foi implementada utilizando-se os recursos da norma IEC 61850, considerada por especialistas a mais moderna para a comunicação entre os dispositivos nas subestações de energia elétrica. "Essa norma oferece o melhor custo-benefício porque reduz a quantidade de cabos metálicos, que são substituídos por fibra óptica, e diminui os tempos de instalação e comissionamento", ressalta Zanirato.